Brasil Pré e Pós Cabralino

Brasil Pré-Cabralino

1. O TERMO ÍNDIO: 

O termo índio nasceu de um engano histórico: ao desembarcar na América, o navegador Cristóvão Colombo chamou seus habitante de índios, pois pensava ter chegado às Índias.  Outras designações para o habitante da América pré-colombiana: aborígine, ameríndio, autóctone, brasilíndio, gentio, íncola, “negro da terra”, nativo, bugre, silvícola, etc.  O termo índio designa quem habitava e ainda habita as terras que receberiam o nome de América.

2. DIVERSIDADE CULTURAL: 

Os diferentes povos indígenas do Brasil (Pindorama ou Piratininga), a exemplo dos demais índios da América, tinham maneiras próprias de organizar-se: diferentes modos de vida, línguas e culturas.

3. NAÇÕES INDÍGENAS:

Classificação: baseada em critérios lingüísticos.

 • Tupi: litoral.

 • Jê ou Tapuia (Macro-Jê): Planalto Central.

 • Nuaruaque: bacia Amazônica.

 • Caraíba: norte da bacia Amazônica.

4. ORGANIZAÇÃO SOCIAL: 

Regime de Comunidade Primitiva.

Igualdade social.

Relação coletiva com a terra.

Divisão do trabalho por sexo e idade. 

 Socialização das técnicas de produção.

Distribuição igualitária.

Pequeno desenvolvimento tecnológico. 

Produção voltada para o autoconsumo.

Era muito pequena a produção de excedente.

Habitação: malocas (ocas)

Aldeia (taba) tribo   nação.

Casa comunal.

Nomadismo e semi-nomadismo. 

Atividades econômicas: caça, pesca coleta e agricultura. 

Instrumentos rudimentares.

Religião: Pajé- politeísta.

Chefe da aldeiaPolítica: chefe de maloca – Conselho  (principal cacique ou morubixaba). 

A guerra tinha muita importância e era fonte de prestigio e elevação de status.

Costumes:
-coivara: queimada.

-couvade: resguardo do pai da criança.

-antropofagia: ritual.

-dar presentes: generosidade na distribuição de bens.

-casamento: poligênico (o homem ter mais de uma mulher) e poliândrico (mulher casada com vários homens).

O DESCOBRIMENTO DO BRASIL

1. PEDRO ALVARES CABRAL:

 Navegador português. 
A esquadra enviada por D. Manuel, rei de Portugal, às Índias, tinha como objetivo estabelecer uma sólida relação comercial e política com os povos do Oriente. 
22 de abril de 1500: Cabral oficializa a posse de Portugal sobre o Brasil. 
O Descobrimento do Brasil fez parte de um processo mais amplo de Expansão marítima, comercial e territorial realizada pelos europeus no início da Idade Moderna, ou seja, o descobrimento do Brasil e sua colonização devem ser analisados como uma etapa do desenvolvimento comercial europeu. 
O Descobrimento foi fruto da expansão ultramarina realizada pela burguesia européia, marcando uma etapa do desenvolvimento comercial europeu.  
Controvérsias sobre o descobrimento:
+ casualidade ou intencionalidade?
+ descobrimento ou conquista ou encontro de culturas ou achamento?

PERÍODO PRÉ-COLONIAL (1500-1530)

1. CONCEITO:

Período (1500-30) em que Portugal não se interessa pela efetiva colonização do Brasil em função deste não preencher os seus interesses mercantilistas (metais e comércio).

2. MOTIVOS DO DESINTERESSE DE PORTUGAL PELA COLONIZAÇÃO:

Os portugueses não encontraram, no Brasil, sociedades organizadas com base na produção para mercados. 
O Brasil não oferecia metais preciosos nem produtos para o comércio. 
A crise demográfica portuguesa. 
Portugal estava concentrado em torno do comércio Oriental.

3. CARACTERISTICAS:

 Durante esse período Portugal limitou-se a enviar para o Brasil expedições de reconhecimento e de defesa e iniciou a extração do pau-brasil.

4. EXPEDIÇÕES EXPLORADORAS:

• Gaspar de Lemos (1501).
• Gonçalo Coelho (1503).
+ objetivos: fazer o reconhecimento geográfico e verificar as possibilidades de exploração econômica da nova terra descoberta.
+ resultados: denominação dos acidentes geográficos e constatação da existência de pau-brasil.

5. EXPEDIÇÕES GUARDA-COSTEIRAS:

• Cristóvão Jacques (1516-1526).
+ objetivos: policiar o litoral e expulsar os contrabandistas.

6. EXPLORAÇÃO DO PAU-BRASIL:

 Primeira atividade econômica portuguesa no Brasil: exploração e comércio da madeira de tinturaria. 
Atividade extrativa, assistemática e predatória. 
Estanco: monopólio régio  atividade econômica, salvo o seu desempenho pela Coroa ou a quem esta delegasse. 
Escambo: tipo de relação de trabalho onde há troca de serviço/mercadoria por outra mercadoria  feitos pelos indígenas, eram o corte e o transporte da madeira que, em troca, recebiam bugigangas. 
Feitorias: eram os depósitos que armazenavam as toras de pau-brasil. Não geraram povoamento.
 

O INÍCIO DA COLONIZAÇÃO (1530)

1. MOTIVOS:

 A constante e crescente presença francesa no litoral do Brasil: ameaça a posse portuguesa. 
A decadência do comércio das Índias: problemas financeiros. 
A descoberta de metais preciosos na América Espanhola (Peru).

2. A EXPEDICÃO COLONIZADORA DE MARTIM AFONSO DE SOUSA (1530):
• Objetivo: lançar os fundamentos da ocupação efetiva da terra, estabelecendo núcleos de povoamento (povoar a terra, defendê-la, organizar sua administração e sistematizar a exploração econômica: colonizar). 
Colonizar: ocupar um região para explorá-la economicamente.
• Ação colonizadora: 
Instalação do primeiro núcleo de povoamento português no Brasil: a vila de São Vicente (1532). 
Implantação da primeira unidade produtora de açúcar no Brasil: O Engenho do Senhor Governador ou São Jorge dos Erasmos. (1533). 
Introdução das primeiras cabeças de gado. 
João Ramalho fundou Santo André da Borda do Campo. 
Brás Cubas fundou Santos.

ADMINISTRAÇÃO COLONIAL

1. SIGNIFICADO:

+ a organização político-administrativa do Brasil – Colônia estava calcada na divisão territorial em Capitanias, no estabelecimento dos Governos Gerais e na criação das Câmaras Municipais e atendia as necessidades inerentes à relação Metrópole-Colônia: 
Promover a ocupação territorial do Brasil através do povoamento. 
Evitar gastos supérfluos com o envio de funcionários da Metrópole para a Colônia. 
Possibilitar a efetivação do interesses mercantilistas metropolitanos.
Defender a colônia dos ataques e invasões das potências rivais.

1. CAPITANIAS HEREDITÁRIAS (1534):

• Objetivo: acelerar a efetiva colonização do Brasil transferindo para particulares os encargos da colonização.
• Funcionamento: Portugal buscava atrair os interesses de alguns nobre portugueses pelo Brasil, dando a eles direitos e poderes sobre a terra e transformando-os em donatários das capitanias.
• Documentos:
+ Carta de Doação: estipulava a concessão da capitania ao donatário.
+ Foral: determinava os direitos e deveres dos donatários e funcionava como um código tributário.
Os donatários recebiam poderes políticos, judiciários e administrativos de que lhes advinham vantagens econômicas. 
Fundação de vilas, concessão de sesmarias, redízima (1/10) das rendas da Coroa, vintena (5%) sobre o valor do pau-brasil e da pesca, cobrança de tributos sobre todas as salinas, moendas de água e engenhos (só podiam ser construídos com a sua licença).

• Características: 

Processo de colonização descentralizado: sistema político-administrativo descentralizado. 
Os donatários recebiam as capitanias não como proprietários, mas como administradores (posse). 
As capitanias eram hereditárias, indivisíveis, intransferíveis e inalienáveis. 
Os donatários deveriam arcar com as despesas da colonização. 
O Brasil foi dividido em capitanias hereditárias (grandes lotes de terras) entre a donatários. 
Para fins administrativos, a capitania no Brasil se dividia em comarcas, as comarcas em termos, e os termos em freguesias. 
Sistema já utilizado por Portugal nas suas ilhas atlânticas: Açores, Madeira e Cabo Verde.
• Capitanias que prosperaram: 
São Vicente (Martim Afonso de Sousa): auxílio da Coroa Portuguesa  devido ao fracasso da  lavoura de exportação (distância da metrópole e concorrência nordestina) foi lentamente regredindo para uma lavoura de subsistência. 
Pernambuco (Duarte Coelho): excelente administração, aliança com os índios, financiamento do capital flamengo (holandês) e desenvolvimento do agromanufatura açucareira.

• Fracasso do Sistema:

+ Fatores: 
As dificuldades encontradas na empresa de colonização. 
A falta de recursos dos donatários (inviabilidade da colonização baseada exclusivamente no capital particular). 
A descentralização (se chocava com os interesses do Estado absolutista português). 
Os ataques dos índios. 
A distância da metrópole. 
A falta de comunicação entre as capitanias. 
A má administração e a falta de interesse dos donatários.

Published in: on 19 de março de 2008 at 0:16  Deixe um comentário  

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