Reforma e Contra – Reforma

                                                                                        Reforma e Contra-Reforma

A sociedade européia dos séculos XV e XVI é palco de transformações radicais, que superam a crise do feudalismo, originando mudanças em vários níveis, onde a Igreja, não poderia passar imune. A reforma Protestante constitui-se no instrumento principal de ataque ao domínio da Igreja Católica, já criticada pelo Humanismo e Renascimento. Vários fatores contribuíram para a Reforma Protestante, dentre eles, destacamos: o interesse da nobreza feudal nas terras da Igreja; interesse da burguesia na liquidação dos entraves materiais e ideológicos; desenvolvimento comercial e urbano; interesse em fortalecer a sua autoridade, submetendo a Igreja e confiscando as suas terras.

 

A Alemanha (Sacro Império Romano-Germânico) é onde a Reforma Protestante tem início com Lutero. A instabilidade sócio-econômica e política favorece a eclosão do movimento, onde observamos que, os bens da Igreja eram  cobiçados pela nobreza feudal; o Imperador Carlos V, lutava contra essa nobreza, procurando centralizar o poder; a desagregação da Igreja em todos os sentidos (venda de indulgências, por exemplo).

 

Nas suas "95 teses", Martin Lutero em 1517, critica a postura degradante da Igreja, principalmente no tocante a venda de indulgências, onde a absolvição dos pecados viraram um grande comércio. A doutrina luterana defendia a Bíblia como única fonte da fé (Livre Interpretação); Igreja submetida ao Estado; abolição do celibato e do culto aos santos e a virgem; culto celebrado na língua nacional; negação da autoridade do Papa; fé como único meio de salvação.

 

A Reforma Luterana proporcionou algumas conseqüências importantes como a Revolta dos Cavaleiros (1522-23 ); a Guerra Camponesa (1524-25), dentre as várias reivindicações destacamos a luta pela terra; a Guerra Religiosa (1546-53), tentativa fracassada de Carlos V em submeter os Estados protestantes. A Paz de Augsburgo, em 1555, pôs fim aos conflitos, confirmando as secularizações realizadas e reconhecia a nova religião. Além da Alemanha, o luteranismo expandiu-se pela Suécia, Dinamarca e Noruega.

 

Após a reforma iniciada por Lutero, outras correntes do protestantismo surgiram ao longo do século XVI, dentre elas destacamos:

 

o Zwinglianismo (Ulrich Zwinglio), na Suíça Germânica;

 

o Calvinismo que constitui numa das mais dinâmicas correntes do protestantismo, através de João Calvino, que defendia a predestinação absoluta, justificava as atividades burguesas (comércio, usura e lucro), condenadas pela Igreja Católica, separação Igreja e Estado, esta corrente expandiu-se pela França

(hunguenotes), Holanda, Suíça, Inglaterra  (puritanos) e Escócia (presbiterianos);

 

O Anglicanismo, na Inglaterra, foi promovido pela própria coroa inglesa, visando o fortalecimento de sua autoridade fez  com que ambicionassem os bens eclesiásticos, a fim de consolidar o Estado Nacional, Henrique VIII utilizou-se do pretexto do casamento com Ana Bolena (o Papa recusou-se anular o seu 1o casamento com Catarina de Aragão) rompendo com o  papado e proclamando uma Igreja Nacional reformada;

 

Os Anabatistas, tendo como principal líder Thomas Münzer, foi um movimento social de caráter religioso, ocorrido  na Alemanha, pregavam a volta a uma Igreja Primitiva, abolição da propriedade privada, teve uma influência grande entre os camponeses e os pobres da área urbana, foram reprimidos pelos senhores feudais com o apoio do próprio Lutero.

 

A Contra-Reforma foi a reação da Igreja Católica ao avanço do protestantismo, através do Concílio de Trento (1545-63), reafirmou seus dogmas negados pela Reforma, a saber: necessidade das obras e da fé para a salvação, culto a virgem e santos, o celibato clerical, a infalibilidade do papa e etc. Proibiu a venda de indulgências, determinou a criação de escolas teológicas para superar a ignorância do clero e estabeleceu o Índex, relação de livros proibidos à leitura, pelo perigo que representavam de difundir as idéias protestantes. Nessa reformulação interna dois instrumentos foram importantes: o Tribunal do Santo Ofício e a Companhia de Jesus. O primeiro, antigo tribunal Medieval, foi restabelecido como tribunal religioso, ativamente apoiado pela coroa, seus julgamentos eram secretos e abrangiam os casos de heresia e outros crimes graves contra a fé católica. O segundo, a Ordem dos Jesuítas, fundada por Inácio de Loiola, em 1534, difundiram o catolicismo por outras  áreas como a América Espanhola, Brasil, Canadá, China, Japão e índia, onde promoviam o ensino, a catequese e a pregação.

Published in: on 26 de maio de 2008 at 23:30  Deixe um comentário  

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