Descolonização – Oriente Médio – Globalização

– Descolonização da África e Ásia

 

            O processo de descolonização tem a sua origem na Primeira Guerra Mundial, passando pela Grande Depressão e com maior intensidade após a Segunda Guerra Mundial, possibilitando a desintegração dos Impérios Colônias. Este processo favorece a luta pela independência dos países afro-asiáticos a partir da tomada de consciência de uma identidade nacional, também pelo fato das metrópoles européias enfraquecerem devido à guerra.

            A Descolonização se processou de três formas: a pacífica, violenta e tardia.

 

             Descolonização pacífica: resultado de acordos e de negociações entre as colônias e as metrópoles. A independência é concedida pela metrópole em troca da manutenção de vínculos econômicos e/ou políticos que lhe asseguravam uma ascendência sobre a antiga colônia. Isto é: a colônia tornava-se formalmente independente, mas, na prática, a metrópole inaugurava uma nova forma de dominação. Exemplos: a maior parte das colônias britânicas na Ásia: Índia, Ceilão, Birmânia, Malásia. E também: uma parte da África negra de expressão francesa: Camarões, Togo, Senegal, Mali , Costa do Marfim, Daomé, Alto Volta, Niger, República Central Africana, Congo Brazzaville, Gabão, Chade, Madagascar, Mauritânia. A maior parte destes países teve suas fronteiras definidas artificialmente. E a África Ocidental de expressão inglesa como Gama e Nigéria.

            Descolonização pela violência: Quando o processo de descolonização foi marcado por guerras de independência ou por guerra civil. Os exemplos mais importantes são: a Indochina (Vietnã) e a Argélia  (ambas colônias francesas ). E o Congo Belga que enfrentou não apenas uma guerra contra a Bélgica, mas também uma guerra civil com diferentes movimentos separatistas.

           Descolonização tardia: a descolonização das antigas colônias portuguesas que se processou já nos anos 70, a maior parte delas marcadas por movimentos de orientação marxista: Angola, Guiné Bissau e Cabo Verde.

 

Estudo de caso

 

A) ÍNDIA

 

             O movimento nacionalista indiano foi liderado por Gandhi, defensor da Resistência Pacífica, traduzida numa série de práticas – jejum, não-consumo de produtos ingleses, não pagamento de impostos etc. Os ingleses admitiram a independência do país mediante a criação de dois Estados: um muçulmano e outro hindu, na condição de Domínios integrados à “Crommonwealth”.

           Após a independência a Índia adota como política externa o neutralismo, não se integrando aos blocos liderados pela URSS e EUA, sobretudo no governo de Nehru.

 

B) INDONÉSIA

 

            A região era de domínio holandês desde o século XVII, com o nome Índias Orientais Holandesas. Em 1942, durante a Segunda Guerra mundial, o Japão ocupa as ilhas. Em 1945, após a rendição dos japoneses, nacionalistas proclamam a independência, sob a liderança de Sukarno. A Holanda, em 1949, reconhece a independência. O novo governo desenvolve uma política externa independente no quadro da Guerra Fria e torna a Indonésia, um dos fundadores do Movimento dos Países Não-Alinhados (Conferência de Bandung – 1955).

            Em 1955, as Forças Armadas sufocam uma tentativa de golpe do Partido Comunista Indonésio. Em 1966, Sukarno é derrubado pelos militares. O general Suharto é declarado presidente em 1968.

 

C) INDOCHINA

            A Indochina (Vietnã, Laos e Camboja) foi domínio francês até 1954, quando os franceses foram derrotados na batalha de Diem Bien Phu. Um armistício consolida a divisão do Vietnã em dois Estado: Vietnã do Norte, sob o regime comunista de Ho Chi Minh, e Vietnã do Sul, monarquia encabeçada por Bao Daï. O monarca é deposto no ano seguinte pro Ngo Dinh Diem, que proclama a República do Sul e reassume a Presidência.

             A Guerra do Vietnã começa em 1959, opondo os militares do Vietnã do Sul à guerrilha apoiada pelo Vietnã do Norte. O EUA entram no conflito a partir de  1961, apoiando o sul. No apogeu do conflito a intervenção norte-americana envolve meio milhão de militares. Em 1973, os Estados Unidos aceita o cessar-fogo e retiram-se da região dois anos depois. Em 1976, o Vietnã reunificado sob o regime comunista.

 

            Obs.: A intervenção norte-americana se estendeu a região da Indochina, não só o Vietnã, como também o Laos e o Camboja.

 

– Oriente Médio

 

1. Questão Árabe-Israelense

            Em 1947, a ONU propôs a criação na Palestina de dois estados, um árabe-palestino e outro judeu. Em 1948, o líder judeu Ben Gorion proclama a criação do Estado de Israel. Os Estados árabes não aceitam, iniciando uma série de conflitos que se estendem até hoje.

 

            Quatro guerras confrontaram os Estados Árabes a Israel:

 

. Em 1948, eclode a Primeira Guerra árabe-israelense, onde as forças israelenses repelem o ataque dos países árabes. Israel, a Transjordânia (Jordânia) e o Egito repartem entre si os territórios que, segundo a ONU, deveriam formar o Estado Palestino;

. Em 1956, a Segunda Guerra ocorre porque Israel, Inglaterra e França invadem o Egito, em virtude de o Presidente Nasser nacionalizar o Canal de Suez, mas a URSS e os Estados Unidos vão interferir, pondo fim à invasão;

.Em 1967, na Guerra dos Seis Dias, Israel sai vitorioso, apoderando-se dos territórios árabes do Golan, Gaza, Sinai e a Cisjordânia;

. Finalmente, em 1973, Israel foi atacado pelo Egito e Síria, foi a Guerra do Yom Kippur, Israel repele os ataques sem ganho territorial.

 

            Nos anos 90, alguns avanços para a paz foram concluídos, quando em1993, Yasser Arafat, Yitzhak Rabin e Shimon Peres chegam a um acordo para autonomia dos palestinos nos 233 territórios de Gaza e Jericó. Em 1995, o acordo foi ampliado para uma parte da Cisjordânia. Mas, ao mesmo tempo, a oposição aos acordos progrediu na Palestina (o grupo terrorista Hamas multiplicou os ataques em Israel) e em 1995, Rabin foi assassinado por um judeu fanático.

            Em 1996, Benjamin Netanyaho foi eleito primeiro-ministro, interrompendo o processo de paz, já que sempre foi hostil à paz com os palestinos.

 

2.   Expansão do mundo muçulmano

 

A religião islâmica dividiu-se um dois ramos principais: o Xiita (15% dos mulçumanos) e o Sunita.

O islamismo ganhou novos espaços geográficos. Na África Negra, espalhou-se porque não se apresentava como a religião do colonizador, mas também porque soube se adaptar às tradições locais. Na Europa, devido à imigração turca ou magrebina (Argélia/Marrocos/Tunísia). Fizeram-se igualmente progressos nas antigas repúblicas da URSS.

Em 1979, os xiitas tomaram o poder no Irã após uma revolução. No decurso dos 80 e 90, o islamismo fez avanços no mundo muçulmano. Os Estados que se tornaram islamitas aplicavam uma parte ou a totalidade da Charia (tradição islâmica) e, por vezes, os castigos que ela previa, com a amputação, a flagelação ou a lapidação. Mas o Estado xiita iraniano definiu-se resolutamente antiocidental e revolucionário (guerra santa), enquanto no Paquistão, no Sudão e na Mauritânia os laços como o Ocidente não foram colocados em questão.

Nos anos 90, o islamismo continuou a progredir. Na Argélia, um partido islamita, a Frente Islâmica de Salvação (FIS), ganhou em influência, mas foi proibido em 1991 pelo poder, que receava perder as eleições; como reação, os Grupos Islâmicos Armados (GIA) empreenderam uma guerrilha contra o Estado argelino. No Afeganistão, os Talibans, islamitas de etnias pachtun, alcançaram o poder.

 

3.   A Guerra do Golfo

 

Após o fim da guerra entre Irã e Iraque (1980-88), a crise financeira afeta o Iraque, levando o mesmo a acusar o país vizinho, o Kuwait, de ser o responsável pela queda dos preços do petróleo, ao comercializar uma cota acima da estipulada pela Organização dos Países Exportadores de petróleo (OPEP). Com isso, o Kuwait é invadido pelo Iraque, em agosto de 1990.

Formou-se então uma aliança militar contra o Iraque. Para o Ocidente, tratava-se não apenas de fazer respeitar o direito internacional, mas também de proteger o seu aprovisionamento em petróleo e defender Israel.

Uma aliança de mais de 30 países, liderados pelos EUA, inicia um confronto que se desenrolou de 17 de janeiro até 28 de fevereiro de 1991, com 42 dias de bombardeios aéreos, que arrasam militarmente o Iraque.

A partir do anúncio de cessar-fogo (3 de março de 1991), os opositores do regime de Bagdá – os Xiitas do Sul e a maioria Curda do Norte- revoltaram-se, mas  Hussein (presidente do Iraque) restabeleceu rapidamente a sua autoridade.

A derrota iraquiana foi uma humilhação para grande parte da população árabe, que se reconhecia na ação contra os exploradores do ouro negro, Israel e o Ocidente. Ela foi uma grande vitória para os Estados Unidos, mas em contrapartida alargou o fosso entre as massas árabes e o Ocidente.

 

– O dia em que a terra parou

Uma data marcou a história da humanidade. Foi sem dúvida o dia 11 de setembro de 2001, quando ocorre o maior atentado terrorista contra os Estados Unidos, atingindo o pentágono, em Washington, e destruindo o símbolo do seu poder econômico, as torres gêmeas do Word Trade Center.

As repercussões na economia são terríveis, atingindo em cheio as seguradoras e as empresas aéreas. O presidente George W. Bush, em resposta, invade o território afegão e derruba o regime fundamentalista islâmico do Taliban, que dera proteção a organização terrorista Al Qaeda e a seu líder, Osama Bin Laden.

Em setembro de 2002, os EUA lançam a sua estratégia de Segurança nacional dos EUA (Doutrina Bush), adotando uma postura unilateral, de que o direito da autodefesa, permite os EUA agirem militarmente, reafirmando a sua supremacia bélica. A argumentação da “Doutrina Bush” é de que existe um Eixo do Mal, integrado pelo Irã, Coréia do Norte e principalmente do Iraque. O governo americano atribui a esses Estados o apoio às organizações terroristas.

 

– A Segunda Guerra do Golfo

A Segunda Guerra do Golfo, uma iniciativa bélica unilateral por parte dos Estados Unidos da América e da Grã-Bretanha, começou no dia 20 de março de 2003, depois de terminado o prazo do ultimato americano para que Saddam Hussein abandonasse o Iraque. Essa atitude foi criticada por vários países importantes como a Alemanha, França e Rússia, porque não ocorreu o respeito à decisão do Conselho de Segurança da ONU, em esperar o término do trabalho dos inspetores. O EUA renunciaram à ordem jurídica internacional, gerando uma insegurança mundial, como também um sentimento antiamericano cada vez maior.

Ficou claro que as perigosas armas químicas e biológicas do Iraque, não foram até então encontradas, e que o objetivo principal do “Império” é o petróleo iraquiano. 

No momento o “presidente” George W. Bush gira as suas metralhadoras para a Coréia do Norte e Irã, acusados de fazerem parte do “eixo do mal”, juntamente com o Iraque pré-guerra, porque seriam responsáveis por supostos esforços para desenvolver armas nucleares.

É importante ressaltar, o aumento da oposição interna ao governo de Bush, decorrente das baixas constantes impostas pela resistência às tropas norte-americanas.

 

– Globalização e Neoliberalismo

O final da Guerra Mundial e o avanço do bloco Socialista despertaram o capitalismo para a necessidade do desenvolvimento de programas sociais, com o objetivo de evitar o surgimento de Revoluções socialistas (o mundo já vivenciava a Guerra Fria).

Assim, os países passarem a se preocupar em manter padrões mínimos de renda, alimentação, saúde, habitação e educação a todos os cidadãos.

 A crise capitalista dos anos 70 fez com que o “velho” Neoliberalismo ressuscitasse. Para os neoliberais, a crise ocorre devido ao aumento dos gastos sociais feito pelo Estado, gerando o déficit público.

Os grandes defensores do “velho” neoliberalismo foram o presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan e a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, conhecida como a “dama de ferro”. Ela iniciou a privatização do setor estatal e cortou os gastos públicos com educação, saúde e aposentadoria.

Os neoliberais argumentam que para equilibrar o orçamento do Estado, é necessário que haja medidas como a venda de empresas estatais e a transferência de responsabilidades com a educação, previdência e saúde para a iniciativa privada – é o “Estado Mínimo”. Além disso, proclamam a abertura do mercado, o fim das leis e das tarifas protecionistas e a organização de Mercados Regionais.

Um caminho intermediário entre o Neoliberalismo e as Teses estatizantes da social-democracia, que surgiu em 1999, foi a Terceira Via. Tendo como pai da idéia o primeiro-ministro britânico Tony Blair. Na prática, esta tese está mais próxima do neoliberalismo, por ser contrária à excessiva regulamentação da economia.

O termo “globalização”, expressa mais do que uma palavra da moda, mas uma série de mudanças que caracterizam o processo. O fenômeno da globalização resulta em síntese de três elementos: a Terceira revolução Tecnológica (tecnologia ligada à busca, processamento, difusão e transmissão de informações), a formação de áreas de livre comercio e blocos econômicos (MERCOSUL, UNIÃO EUROPÉIA E O NAFTA) e a crescente interligação e interdependência dos mercados físicos e financeiros em escala mundial (ex: bilhões de dólares se evaporam em Hong Kong e reaparecem em Nova York).

Mas sem dúvida, a globalização ainda é, acima de tudo um fenômeno financeiro, tornando esses “mercados” rápidos, violentos e mortais. Um erro econômico, que há tempos poderia se arrastar por anos derruba a economia de um país em semanas. Mesmo que esse país seja a “menina dos olhos” dos bancos internacionais, como era o México em 1994 ou como era a Tailândia (1997).

Outro fenômeno interessante, é que as empresas globalizadas trocam patrimônio por marketing, chegando a gastar 10% do seu faturamento na divulgação de sua marca, como o caso da Nike, que dispensa o nome nas suas campanhas publicitárias. A globalização padroniza os produtos (um tênis Nike, um Big Mac) em uma estratégia mundialmente unificada de marketing, destinada a uniformizar sua imagem junto aos consumidores.

A Nike tornou-se um dos melhores exemplos de uma empresa global, por sua estratégia de produção e de uso do marketing. Essa empresa não é dona de qualquer fábrica, não emprega nenhum operário, não tem uma máquina. Toda a sua produção é feita sob encomenda em outras fábricas a partir de modelos desenhados nos Estados Unidos. Atualmente, 80% de seus calçados, são feitos em fábricas no Vietnã, Indonésia, China, Coréia do Sul e Taiwan. A empresa nunca teve fábricas, por isso muda com rapidez o local de fabricação de seus produtos, o que não seria possível se tivesse as suas próprias fábricas instaladas.

A globalização não é somente econômica, é também cultural, o que inclui desde a informação instantaneamente globalizada até o predomínio do Inglês, o idioma da globalização. Esse é o temor dos que noticiavam a expressão da cultura norte-americana, sustentando a idéia de que o mundo viverá sob o domínio de um novo Império.

A Globalização aprofunda o abismo entre ricos e pobres, como aponta o relatório da ONU (1997), sobre o desenvolvimento humano. Uma das razões é que a redução das tarifas de importação beneficiou muito mais os produtos exportados pelos mais ricos. Os países mais ricos continuavam a subsidiar os seus produtos agrícolas, inviabilizando as exportações dos mais pobres.

Diante desse quadro, a globalização diminuiu distâncias e lançou o mundo na era da incerteza; aumentou o desemprego. Gerou também oposições consistentes como a do economista francês François Chesnais, “A Mundialização do Capital”,  o sociólogo alemão Robert Kutz, “ O colapso da Modernidade” e o  geógrafo Milton Santos, “ Por  Uma Outra Globalização”, entre outros, que engrossam o grupo contrário ao pensamento único (intelectuais que se recusam a aceitar, sem críticas, um só modelo político e econômico).

 

 

 “Ao mesmo tempo em que o capital tende, por um lado, necessariamente, a destruir todas as barreiras espaciais opostas ao tráfego, isto é, ao intercâmbio, e conquistar a terra inteira como um mercado, ele tende, por outro lado, a anular o espaço por meio de tempo, isto é, a reduzir a um mínimo o tempo tomado pelo movimento de um lugar ao outro.”

Karl Marx, in “Manuscritos de 1857-1858 (Grundrisse)”

Published in: on 21 de outubro de 2008 at 22:38  Deixe um comentário  

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