Pela excomunhão da estupidez humana

Pela excomunhão da estupidez humana
(por Chico Alencar)
 

Aprendi, desde os tempos da adolescência, na Juventude Estudantil Católica, que mais vale acender uma vela do que amaldiçoar a escuridão.

Ouvi, aqui e na sociedade, muitas críticas ao Bispo, muitas pessoas queixando-se do Bispo. Pois quero aqui elogiar o Arcebispo de Olinda e Recife… porém, o antecessor do atual…Dom Helder Câmara, que era um homem de grandezas, que era um homem de generosidade, que era um homem de veio profético.

Lembro-me – e eu era pouco mais que um menino -, no encerramento do Concílio Ecumênico Vaticano ll, quando se procurava um diálogo inter-religioso tão fundamental para nossas próprias denominações.

Alguns bispos, não muitos, que tinham participado do concílio, escreveram o chamado Pacto das Catacumbas, em que afirmavam o compromisso, em primeiro lugar, de caminhar sempre atentos às dores do seu povo. Em segundo lugar, de construir uma Igreja despojada, inclusive de símbolos materiais. Eles todos abriram mão daqueles crucifixos dourados, prateados e de grande riqueza. Abriram mão, inclusive, das propriedades de ordem pessoal.

Alguns deixaram de ter contas bancárias, pois diziam que o essencial da fé e de qualquer religião é o amor, é a solidariedade. Procuraram viver assim.

Por isso, fazer esse elogio ao antecessor de Dom José Sobrinho é necessário neste momento, porque muita gente está dizendo que, em razão de uma atitude menor, pequena e obscurantista, a religiosidade não tem valor algum, não tem sensibilidade. E é exatamente o contrário que temos de procurar afirmar, com todas as nossas limitações, com todas as nossas debilidades.

Aproveito para fazer o registro do belíssimo artigo do jornalista Merval Pereira, publicado no jornal O Globo de sábado passado, 7/3, intitulado Estupra, mas não mata. Esta é uma afirmação estapafúrdia, e que, infelizmente, é recorrente na nossa história mais recente.

Esse tipo de caminho, escolhido, inclusive, ao que parece, pelo Bispo D. José, é o da barbárie e não o da libertação e do cuidado que devemos ter com a vida, em especial daqueles que estão chegando agora na sociedade, como as nossas crianças e os nossos jovens.

No domingo passado, o meu filho, que é jornalista, me ligou durante o plantão e disse: Pai, estou fazendo a pior matéria que já fiz. Uma menina de 5 anos, no Rio de Janeiro, sumiu de uma festinha e foi encontrada horas depois morta em um matagal, com sinais de violência sexual inclusive.

Uma menina de 5 anos de idade.

Atingimos um nível de atrocidade que precisa ser combatido permanentemente. Isto, sim: a estupidez humana deve ser excomungada cotidianamente por todos nós.

Published in: on 17 de março de 2009 at 0:31  Deixe um comentário  

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